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PALAVRAS DO EDITOR

Inspirada a perdoar

Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós (Colossenses 3.13).

Lembro-me da primeira vez que visitei uma prisão feminina. Os membros de uma congregação local em Salta, Argentina, visitavam essa prisão regularmente e convidaram-me a juntar-me a eles como celebrante da comunhão com as mulheres. A prisão era diferente daquelas com as quais eu estava familiarizada nos Estados Unidos. Essa era mais como uma casa grande com guardas e segurança na entrada. As mulheres interagiam livremente, lavando suas roupas e pendurando-as no quintal para secar, criando seus filhos e ajudando-se mutuamente com outras tarefas diárias. Era quase como se fossem uma família – guardas e presas. Como em qualquer família, muitas vezes, surgiam emoções fortes naquele ambiente íntimo. Se você estivesse se dando bem com as outras presas e as guardas, a vida era boa; se não estivesse, a vida poderia ser terrível.

Depois de celebrar a comunhão, uma presa chamada Ana contou-me sobre uma determinada meditação do El Aposento Alto, a edição espanhola do no Cenáculo, que a tinha tocado. A meditação contava que os guardas de uma prisão para homens haviam pedido a um pastor para conduzir um culto com celebração da comunhão, tanto para os guardas quanto para os presos. Os guardas expressaram o desejo de superar qualquer animosidade que eles ou os detentos tivessem entre si. A história inspirou Ana e levou-a a perdoar uma das guardas e estabelecer uma amizade com ela. Ana me perguntou se eu poderia assinar um exemplar do El Aposento Alto como um presente para a guarda. 

Pensando em minha conversa com Ana, percebi que é disso que se trata a comunhão: perdão, renovação e amor. Para mim, essa história representa o poder do no Cenáculo: cristãos de todo o mundo aprendendo e apoiando-se uns aos outros em suas jornadas de fé. Oro para que cada um de nós encontre nas páginas desta revista o incentivo para perdoar e amar como Ana fez.

Carmen Gaud
Ex-editora do El Aposento Alto

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